sábado, 29 de maio de 2021

Sobre verdade, ceticismo e relativismo.

QUESTIONE TUDO 💭





Questione tudo! E porquê não questionar isso também? O absurdo do relativismo está nisso, se tudo é relativo então a própria afirmação é relativa, o que cria um paradoxo. Mas a dúvida é válida. "Questione tudo" na prática implica um contexto contraditório. Se eu devo questionar tudo por que eu deveria aceitar essa premissa? O mais coerente, do ponto de vista cético, é questionar. Por quê?
O ceticismo parte do pressuposto que você deve questionar. Questionar é sábio. Mas é importante saber quando questionar, ou então entramos no ceticismo absoluto de Descartes. Para muitas pessoas, ceticismo é o mesmo que teimosia, duvidar de tudo. Mas duvidar de tudo é incoerente com nossa realidade, a humanidade não evoluiria. Isso vale para para o conhecimento científico e também para outros aspectos que envolvem o ser humano. Questionar tudo e duvidar de tudo são coisas diferentes. Mas também o questionamento indiscriminado é contrário ao que o ceticismo atual defende. Questionar por questionar, sem nenhuma razão ou critério, de nada serve.

 A dúvida é o contrário da certeza. Duvidar é pensar, mas sem estar seguro da verdade do que se pensa.

Os céticos fazem da dúvida o estado último do pensamento. Os dogmáticos, quase sempre, uma condição prévia. Assim acontece com Descartes: a sua dúvida metódica e hiperbólica (quer dizer, exagerada: ele toma como falso tudo aquilo que sabe ser duvidoso) não é mais do que um momento provisório, na sua procura da certeza.

Descartes sai dela através do cogito, que não é duvidoso, e de Deus, que não é enganador. Mas o seu Deus é duvidoso, diga ele o que disser, e nada impede que o cogito seja enganador. Assim a dúvida renasce sempre. Não se sai dela senão pelo sono ou pela ação.

[André Comte-Sponville. Dictionnaire philosophique. Paris: PUF, 2001, Verbete “Doute”]




Como dizia Nietzsche "Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas". Na história não há verdades absolutas, somente pontos de vista. Não há fatos, mas sim interpretações diferentes de um mesmo fato. O que importa é o significado que esses fatos têm para cada pessoa. Existem várias verdades para um mesmo fato. Nossas verdades são um misto de perspectivas relacionadas a nossa própria experiência individual, estão atreladas ao racional e emocional, às opiniões e ao meio social, à época em que vivemos, aos costumes e ao repertório pessoal de cada um. É mais relativa que absoluta, exatamente por isso.


Em nossa vida, nós damos algumas algumas coisas como certas, o amor, a sinceridade de nossos amigos, estabilidade no emprego etc. Não há uma garantia que seja verdade. Isso garante um nível de confiança que permite seguirmos a vida sem acordar todos os dias com medo de perdas. Ou que precise se conformar com outra realidade que não queira. Temos motivos para aceitar verdades, não há razões para questionar isso, a menos que o nível de confiança no que consideramos verdade seja abalado por novas informações. E aí entra o ceticismo. Ceticismo requer esforço e tempo. Por isso duvidar de tudo é complicado, é razoável duvidar quando não se tem informações suficientes, ou quando essas informações são duvidosas e tendenciosas, quando alguém se beneficia com a informação, ou com a mentira; ou quando novas informações te fazem questionar um conhecimento anterior. Cabe a nós a decisão do que é realmente cabível a questionamentos.



quarta-feira, 29 de março de 2017

Explorando cores, materiais e texturas na Educação Infantil.

Pintura com relevo na Educação Infantil.
Objetivos: Promover técnicas de pintura em relevo e criar texturas e cores através da mistura de materiais  (pasta de dente e corante alimentício)

Esta atividade permite que as crianças pintem em relevo, criando uma espécie de tinta tridimensional. A pasta de dentes é disposta em pratos rasos e misturada com anilina de diferentes cores. Cada criança irá espatular, com palitos de picolé, o que bem entender na sua respectiva folha. Elas descobrem cores através de misturas, o que para elas parece mágica. É muito importante  todo o processo em que as crianças desenvolvem a criatividade, autonomia e as próprias descobertas, e não apenas a obra final considerada certa ou errada, bonita ou feia esteticamente. Nesta atividade elas têm a liberdade de criação, experimentação de textura, cor e a exploração do espaço do suporte (papel).






segunda-feira, 20 de março de 2017

Tons e cores

Tons e cores
Aula sobre as variedades das cores e dos tons de cores. Aprendendo com novas experiências cognitivas;
Atividades :
  • ·         Observação das cores e tons da natureza no jardim da escola,
  • ·         Coleta de folhas e flores de diferentes cores e tons para a criação de uma colagem;
  • ·         Pintura com tinta guache, fazendo misturas em copinhos, tentando recriar as cores e tons observados nas folhas e flores do jardim da escola (folha seca, folha mais verdinha etc.).














domingo, 9 de outubro de 2016

Xilogravuras na Educação Infantil e Fundamental

Xilogravuras feitas reutilizando bandejinhas de isopor

As bandejinhas de isopor são suporte para os traçados das xilogravuras; podemos denominar essa técnica em que utilizamos esse material como suporte de "Isogravura". Essa ação pedagógica pode ser desenvolvida em várias séries, apenas alterando a forma como é aplicada. No ensino infantil o tema trabalhado foram as árvores de Tarsila do Amaral, eu já levei as bandejinhas riscadas, os alunos riscaram por cima e fizeram as impressões nos papéis, utilizando rolinhos para passar a tinta. Já no Fundamental 2, os alunos desenharam, riscaram e fizeram as impressões sozinhos sozinhos.







sábado, 2 de março de 2013

Desenho como esboço = Figurinos




No 7º ano, trabalhando com o tema O desenho e seu registro no território das linguagens artísticas na linguagem teatral, é proposto um “estudo” de projeto cenográfico e de figurino. Já realizei essa proposta pedagógica com meus alunos e foi bem interessante.

   Primeiramente conversamos sobre como o desenho pode ser além de obra final também uma forma de registro de ideias, pode ser a etapa inical de uma produção final, como esboço de figurinos e cenário para o teatro (cenografia). Depois desse entendimento inocial, iniciamos a seguinte sequência didática:

·        Assistimos ao DVD “Por traz da cena – Figurinos” (está a disposição com os PCOPs) e conversamos: o que mais chamou a atenção dos alunos, é necessário uma pesquisa histórica para elaboração de figurinos e uma pesquisa de movimentos, o cenógrafo tem conhecer a peça, assistir aos ensaios, qual a importância de um acervo, ...?

·        Dentro da sala de aula, proponho a leitura coletiva de um texto teatral, texto não longo (deixo como dica O retábulo das maravilhas de Cervantes, é uma comédia que os alunos adoram);

·        Divididos em grupos, os alunos começam a pensar nos personagens e fazer um estudo sobre os mesmos;

·        Começam a elaborar os croquis (São encadernados, de maneira artesanal);

·        Cada grupo escolhe um figurino que acharam mais significativo e o confeccionam em materiais variados, para vestirem um boneco qualquer;

·        Croquis e figurinos são expostos.

Busco trabalhar a partir desta proposta estimulando a leitura de imagens,  interpretação de texto dramático, ampliação de repertório de leitura, capacidade de articulação em grupo, transpor as idéias do plano abstrato para o real através do desenho, e conseguir manipular diversos materiais.

Este projeto poderia ir além, os alunos poderiam confeccionar as roupas com jornais, fita crepe e guache, escolher um trecho do texto e apresentá-lo.  A leitura podia ser dinâmica e não simplesmente com os alunos sentados. Mas esbarramos na questão do tempo e da ausência de matérias, que nem sempre estão disponíveis. 








Quadro Síntese: Concepções de Artes.


História do ensino da arte no Brasil está marcada pela dependência cultural:
Barroco: primeiro produto cultural brasileiro de origem erudita.que eram a única educação artística na época
                           Missão Francesa
Primeira institucionalização do ensino de arte com o modelo neoclássico;invasão cultural de cunho elitista.
Joachim le Breton(chefe da Missão)- Escola de Ciências Artes e Ofícios(1816)- planos de cunho mais popular; repetição dos modelos de ensino de atividades artísticas ligadas a ofícios mecânicos; conciliar métodos e objetivos de ensino de arte comuns às corporações e às academias.Introdução do desenho criativo no treinamento das escolas pra trabalhadores manuais e o ensino da geometria; casamento entre as belas artes e as indústrias. Escola Imperial das Belas-Artes(1826) inaugura a ambigüidade entre educação de elite e popular. Na educação artística Incorporou o dilema entre arte como criação e como técnica.

Manuel José de Araújo Porto Alegre, em 1855, procurou revigorar a educação elitista     estabelecendo duas classes de alunos,o artesão e o artista.
As tentativas de inclusão da formação do artífice na instituição falharam por ser uma espécie de concessão da elite à classe obreira.O Liceu de Artes e Ofícios de Bethencourt da Silva(1856) e outros ao mesmo modelo exerceram a tarefa de formar não só o artífice mas os artistas de classes operárias.
A arte foi incluída em 1811 no currículo do colégio do Padre Felisberto Antônio Figueiredo de Moura, uma escola para rapazes no Rio de Janeiro que determinou o modelo de educação para meninos de alta classe na época. Até 1870 pouco se contestou o modelo de ensino da arte da Academia Imperial das Belas Artes, que foi em parte utilizado pela escola secundária, imperando a cópia de retratos, santos, estampas, em geral européias, levando alunos a valorizar a natureza européia e depreciar a nossa.



                 O Ensino de arte anti-elitista
A partir de 1870,liberais defenderam a idéia de que uma educação popular para o trabalho deveria ser o principal objetivo da arte na escola e iniciaram uma campanha para tornar o desenho obrigatório no ensino primário e secundário. Inicio do ensino do desenho industrial na escola.
Partido Republicano abriu uma fase de severas e sistemáticas críticas contra muitos aspectos da organização do Império, incluindo a situação educacional.
Walter Smith defende a popularização do ensino da arte como preparatório para o design,sendo dua ideologia destacada em notícias e artigos pelo O Novo Mundo,jornal de grande importância cultural na época.
Rui Barbosa subscreveu as idéias de Smith nos Pareceres sobre a reforma da educação primária e secundária.
Abílio César Pereira Borges,inspirado por Rui Barbosa, publicou uma Geometria popular propondo o alfabeto do desenho,seguindo orientações de Smith.
Os positivistas, atrelados ao evolucionismo, defendiam a idéia de que a capacidade imaginativa deveria ser desenvolvida na escola através do estudo e cópia dos ornatos.
Os liberais conseguiram impor sua diretriz ao ensino do desenho na escola secundária através da reforma educacional de 1901,através do Código Epitácio Pessoa,com as propostas de Rui Barbosa e dos Pareceres.O modelo de Smith passa a imperar nos ginásios e permanecem quase imutáveis até 1958.



                 Modernismo- Escola Nova
Educação primária e a escola se tornam o centro das atenções reformistas; princípio liberal de arte integrada no currículo, de arte na escola para todos; defendia a idéia da arte como instrumento mobilizador  da capacidade de criar ligando imaginação e inteligência. Interpretações diversificadas das idéias de John Dewey conduziram a caminhos distintos o ensino da arte no Brasil: à observação naturalista;à arte como espressão
de aula;como introjeção da apreciação dos elementos do desenho.
Mário de Andrade cria ateliês para crianças quando exerce a função de Secretário da Cultura de SP em 1936 , Anita Malfati cria classes de arte tendo orientação baseada na livre expressão e no espontaneísmo,Jornal A Tarde cria Escolas de Arte para crianças bem dotadas em arte;mudanças cuja disseminação foi interrompida pelo golpe que instituiu a ditadura do Estado Novo.
                            John Dewey
Os primeiros escritos naturalistas foram os que maior influência exerceram sobre arte/educação no Brasil. Arte como experiência consumatória. Propôs relações entre filosofia, arte e educação na primeira metade do século XX. Dois conceitos relacionados: o de conhecimento , que Dewey entende o processo pelo qual se descobre relações entre informações anteriores e novas situações, permite relações com fatos crus da existência, envolve atividade do sujeito que conhece, de pensamento e movimento do corpo; e o conceito de experiência que é uma mediação fundamental para se compreender o conhecimento, é entendida como uma ação refletida, intencional, planejada, que requer a percepção dos fins para que seja possível julgar os meios e os produtos a serem criados. A experiência de conhecimento só é de fato experiência quando aquele

que se põe a conhecer tem a oportunidade de perceber integralmente objeto a ser conhecido estabelecendo relações com o que já sabe;requer uma ação ativa do sujeito que aprende e um pensar e agir compreendendo o todo. A experiência, assim, não é algo fragmentado e descontínuo, é uma totalidade, porque abarca a individualidade de cada sujeito que aprende, as interações que realiza em seu contexto cultural, as relações que estabelece entre seus saberes, seus signos, seus valores e as relações que estabelece produzindo sentidos sobre os novos desafios postos pela experiência. a escola não pode ser uma preparação para a vida, mas sim, a própria vida. Assim,para ele, vida-experiência e aprendizagem estão unidas, de tal forma que a função da educação
encontra-se em possibilitar à quem aprende uma reconstrução permanente da experiência.


                          Nereo Sampaio
Divulgador do pensamento estético de Dewey, defendeu sua tese de cátedra onde enunciava o
chamado  método espontâneo-reflexivo para o ensino da arte; deixar a criança se expressar livremente. Críticas, sugestões e perguntas, excitando a consciência do que fez e do que deve fazer.


                           Artus Perrelet
Orientação metodológica influenciada por Dewey; concepção de desenho como integração de corpo e mente,experiência e raciocínio,gesto e visão,vida e símbolo,indivíduo e meio ambiente,sujeito e objeto. Era centrada na idéia de integração orgânica da esperiência.
Propunha a apreciação dos elementos do desenho em movimento; o importante na representação gráfica não é a descrição de detalhes realísticos mas a expressão da linha. No Brasil, sua influência se deu pelos resultados dos trabalhos das crianças e não pelas suas idéias,começando-se a ensinar as crianças desenhos esquematizados, copiados da lousa.


                         José Scaramelli
No livro Escola nova brasileira:esboço de um sistema, ele dá os pressupostos teóricos da Reforma Craneiro Leão e muitos exemplos práticos de aulas, a função da
arte está precisamente delineada, invocado de arte como “experiência consumatória” de Dewey; experiência final,conclusiva. a arte era usada para ajudar a criança a organizar e fixar noções apreendidas em outras áreas de estudo.


   Arte como atividade extracurricular(1930)
Encontramos as primeiras tentativas de escolas especializadas em arte para crianças e adolescentes, inaugurando o fenômeno da arte como atividade extracurricular. Em São Paulo, foi criada a Escola
Brasileira de Arte, as crianças das escolas públicas de oito a catorze anos, com talento podiam gratuitamente estudar música, desenho e pintura. A orientação era vinculada à estilização da flora e fauna brasileiras.


                       Mário de Andrade
Sua contribuição foi muito importante para que se começasse a encarar a produção pictórica da criança com critérios investigativos e à luz da filosofia da arte Seus artigos de jornal muito contribuíram para a
valorização da atividade artística da criança como linguagem complementar, como arte desinteressada e como exemplo de espontaneísmo expressionista a ser cultivado pelo artista.


                           O Estado Novo
Interrompe o desenvolvimento da Escola Nova. Retorno do desenho geométrico na escola secundária, desenho
pedagógico e  cópia de estampas.Inicio da pedagogização da arte na escola.
               Arte para liberação emocional
A partir de 1947 começam a aprecer ateliês para crianças orientados por artistas que tinham como objetivo liberar a expressão da criança, fazendo com que ela se manifestasse livremente sem interferência do adulto. Augusto Rodrigues cria a Escolinha de arte do Brasil no RJ recebendo aprovação e incentivo de educadores envolvidos no movimento de redemocratização da educação; tendo enorme influência multiplicadora,constituindo-se no Movimento Escolinhas de Arte. Usando principalmente argumentos psicológicos, o MEA tentou convencer a escola comum

da necessidade de deixar a criança se expressar livremente usando lápis, pincel, tinta, argila etc. Noêmia Varela, criadora da Escolinha de Arte do Recife e diretora da Escolinha de Arte do Brasil foi a grande influenciadora do ensino da arte em direção ao desenvolvimento da criatividade, que caracterizou o modernismo em Arte/Educação.
A Lei de Diretrizes e Bases de (1961), eliminando a uniformização dos programas escolares, permitiu a continuidade de muitas experiências iniciadas em 1958, mas as idéias de introduzir arte na escola comum de maneira mais extensiva não frutificou.


                         Ditadura de 1964
Perseguiu professores e escolas experimentais foram aos poucos desmontadas sem muito esforço;a prática de arte nas escolas públicas primárias foi dominada, em geral, pela sugestão de tema e por desenhos alusivos a comemorações cívicas, religiosas e outras festas. Em1969, a arte fazia parte do currículo de todas as escolas particulares de prestígio, seguindo a linha metodológica de variação de técnicas.
Eram, porém, raras as escolas públicas que desenvolviam um trabalho de arte. entre 1968 e 1972), em escolas especializadas em ensino de arte, começaram a ter lugar algumas experiências no sentido de relacionar os projetos de arte de classes de crianças e adolescentes com o desenvolvimento dos processos mentais envolvidos na criatividade, ou com uma teoria fenomenológica da percepção,ou ainda com o desenvolvimento da capacidade crítica ou da abstração

e talvez mesmo com a análise dos elementos do desenho.Um certo contextualismo social começou também a orientar o ensino da arte especializada,
podendo-se detectar influências de Paulo Freire na experiência da Escolinha de Arte de São Paulo.
1971-Educação Artística se torna componente obrigatório nos currículos.
Reforma Educacional estabelece um novo conceito de ensino de arte:a prática da polivalência.
1973-São criados cursos de graduação em Educação Artística e licenciatura em artes plásticas,com duração de dois anos preparando professores aligeirados que ensinassem todas as artes ao mesmo tempo. Após este curso,o professor poderia continuar seus estudos em direção à licenciatura plena, com habilitação específica em artes plásticas, desenho, artes cênicas ou música.


                       O pós-modernismo
1980-1990- Pedagogia sociopolítica; Estudos teóricos críticos; Escola Pública competente.
A Semana da Arte e Ensino fortifica os arte/educadores. É criada na Pós-Graduação em Arte a linha de pesquisa em arte/educação na USP constando de doutorado, mestrado e especialização, com a orientação de Ana Mae Barbosa.
1990- Proposta Triangular- foi sistematizada a partir das condições estéticas e culturais da pós-modernidade.
A pós-modernidade em arte/educação caracterizou-se pela entrada da imagem, sua decodificação e interpretações na sala de aula junto com a já conquistada expressividade.
PCNs – ARTE como disciplina;Arte como conhecimento.
1990-2000- Construtivismo.O conhecimento se constrói na relação = Aluno – professor - processos sociais
1996- LDB vigente


                              Paulo Freire
O universo cultural de cada ser humano, marcado por valores, teorias, crenças, consciência ingênua e consciência crítica, é conjunto denso do qual são retirados códigos e referências para leitura do mundo. Cada ser humano é um ser capaz de saber anteriormente à escolarização, um ser que elabora
saberes no cotidiano que o habilitam para ler, interpretar e pronunciar o mundo. Não há hierarquia entre os saberes: os saberes do cotidiano são tão importantes quanto os saberes escolares,  científicos e filosóficos. Todo conhecimento tem início com curiosidade.


                      Nilson José Machado
Todo desenvolvimento de competências é pessoal e

exige profunda pessoalidade para mergulho intelecto-emocional na ação que provoca este desenvolvimento


                           Jorge Larrosa
A formação é processo no qual a pessoa em formação se permite influenciar pelos mestres,pelas experiências
de vida.” A formação é uma viagem aberta...a experiência formativa e a experiência estética não são transitivas...”(Larrosa.2003)
                   Marie-Christinne Josso

Abordagem de formação experiencial.Utiliza a imagem “caminhar para si”;a formação é uma viagem,uma mudança de lugar,na qual viajante e percurso se transformam mutuamente. O professor, ao narrar suas experiências de vida em arte-educação o faz em ação de repensar e dar sentido à história narrada, compreendendo-se como pertencente a um período, a uma comunidade, inserido em um meio sócio cultural,

possibilitando, assim, revelar-se e revelar os contextos nos quais se forma.Tomadas de consciência que resumem o processo de caminhar para si: Consciência dos referenciais, consciência da cosmogonia na qual nos inscrevemos e do seu caráter cultural, consciência da nossa maior ou menor disponibilidade para com referenciais novos e consciência das situações, dos acontecimentos, dos encontros que colocaram em questão ou fizeram evoluir os nossos referenciais, da crise epistemológica que eles provocam e reajustamentos que foram feitos.


                       Humberto Maturana
Teoria que alia vida e conhecimento bem como o conceito de autopoiesis (criação de si). Entende que um sistema vivo está constantemente se autoproduzindo, autorregulando sua forma de existir em resposta aos desafios que seu meio estabelece.
Conhecimento é o processo de reação e auto-criação em um meio, pois é preciso tomar conhecimento dos
desafios impostos externamente para inventarem novas formas de ser internamente. A vida é processo de conhecimento e criação permanentes. Processos de linguagem são fundamentais para a autopoiesis; linguagem é um processo constituído por tudo que caracteriza o organismo em sua capacidade de receber e expressar-se no mundo, com o mundo; para os humanos inclui movimento, emoção e lógica.


                        Malcolm Knowles
Definiu a Andragogia como campo de estudos voltados
para investigar aprendizados de adultos e para formular princípios que pudessem ajudar o adulto a aprender. Um primeiro pressuposto refere-se ao fato de que os adultos são motivados a aprender na medida em que experimentam que suas necessidades e interesses podem ser satisfeitos. O segundo pressuposto afirma que a orientação de aprendizagem do adulto está centrada na vida; por isto as unidades apropriadas para se organizar seu programa de aprendizagem são situações de vida e não apenas disciplinas clássicas sobre conteúdos científicos e filosóficos. Um terceiro

pressuposto traz que a experiência é a mais rica fonte para o adulto aprender; por isto, o centro da metodologia da educação do adulto é a análise das experiências. O quarto pressuposto diz que adultos também têm necessidade de serem liderados por mediadores; por isto, o papel do professor é engajar-se no processo de mútua investigação com os alunos e não apenas transmitir-lhes informações e depois avaliá-los sem que possam analisar e problematizar informações. E finalmente, as diferenças individuais entre pessoas crescem com a idade; por isto, a educação de adultos deve considerar as diferenças de estilo, tempo, lugar e ritmo de aprendizagem.


               Teorias Essencialistas da Arte
Defendem a existência de propriedades essenciais comuns a todas as obras de arte e que só podem ser

encontradas nas obras de arte. A obra de arte teria uma objetividade capaz de impor critérios universais para sua interpretação e valoração.


             Terias da Indefinibilidade da Arte
Negam o caráter objetivo e universal da obra de arte.
Três vertentes:
-Teoria do conceito aberto de Morris Weitz- fechar o conceito da arte é inútil,uma vez que isso excluiria a própria noção de criatividade na arte e na busca de conhecimento sobre arte.Cada época,cada filosofia de arte, tentou estabelecer o seu ideal que foi contestado por uma nova teria; as teorias não chegam a uma visão
definitiva sobre arte.
-Teoria institucional de George Dickie- o mundo da arte, as escolas, as sociedades dizem o que é arte historicamente, não existindo uma definição universal, válida para todos os contextos.
-Teoria Simbólica de Goodman- É arte quando provoca sensibilidade, conhecimento ,questionamento de padrões estéticos. Todos os objetos podem funcionar como símbolos estéticos e arte assume vários modos de ser, assim como o mundo.


                            Luigi Pareyson
Arte é construção, conhecimento e expressão. É produção que exige técnica, mas não se reduz à técnica. Supõe trabalho de transformação e criação; é fazer que contempla regras de linguagem, técnicas de criação para superação de limites, em diálogo com a
realidade para criar outras realidades. Imitar ou transformar o real, criando formas e significados que geram sentidos e provocam perguntas, bem como criar formas de dizer e externar emoções e conhecimentos são atributos do fazer artístico.
                     Imanol Aguirre Arriaga
Duas afirmações para uma aproximação ao entendimento da palavra arte:  arte como relato aberto e como condensado de experiências. É construção narrativa que elege certos elementos para construir significados, deixando outros de fora. É preciso despojar a arte e suas obras da dimensão transcendental na qual a tradição moderna as havia
colocado e compreendê-las como relato aberto, como investigação criativa e condensado de experiências que permite compreensão da arte como materialização estética de todo um sistema de crenças, valores, formas, projetos e sensibilidades individuais e coletivas.


                           Sigmund Freud
Constitui o termo psicanálise e suas bases centrais que fundamentam o entendimento de que há conflito entre impulsos baseados no princípio do prazer- ou libido ou impulso vital- e superestruturas morais derivadas de proibições pertinentes á vida social e à imersão em meio cultural humano que é o princípio de realidade. Este conflito engendra sonhos, mecanismos de defesa e doenças. A personalidade se caracteriza por: id (regido pelo princípio do prazer abarca impulsos vitais como o libido, lugar privilegiado de fundação do desejo), ego (regido pelo princípio da realidade é marcado por racionalidade e capacidade reflexiva) e superego (desenvolve a partir de conhecimento moral e valores socialmente transmitidos ao indivíduo). O inconsciente pode ser pensado como um universo autônomo em relação à consciência e capaz de determinar comportamentos. Os mecanismos de defesa mapeados pela psicanálise são: repressão, recalque, racionalização, regressão, deslocamento, fantasia, compensação, negação, projeção, sublimação. Freud entendia que a produção científica, filosófica e artística

fundam-se neste processo de sublimação que institui a arte como um processo de subdtituição de alvos de desejo na qual impulsos associados à libido e sexualidade são substituídos por impulsos ou instintos legitimados socialmente. A energia vital que nos impele para satisfação de nossa libido é assim transformada em energia que se volta para criação artística, científica e de narrativas e rituais religiosos que oferecem sentidos à nossa existência e a de nossos grupos de pertencimento.
Em uma segunda afirmação, a arte, além de sublimação, é oportunidade de contato com expressões associadas ao lado sombrio do nosso ser. Imaginação e fantasia são processos centrais nesta transformação de desejos,  sobretudo,  em expressões da arte. Outra afirmação aborda a ambiguidade entre razão e emoção, entre pensar e sentir uma obra. Freud não se permitiu enclausurar sua investigação sobre arte em uma definição única e geométrica, assim como não o fez com reflexão sobre a importância desta para o ser humano passível de ser psicanalisado.


                               Noemi Kon
Sugere que há uma ambiguidade por parte de Freud diante da produção artística  que fundamenta-se em duas alternativas para a relação psicanálise e arte, a primeira entende que arte poderia favorecer uma
prática psicanalista objetivando encontrar essência anterior à obra escondida sob as formações inconscientes; a segunda alternativa teria como referência a atualidade da obra, o sentido é dado assim por quem vê ou pelo artista que fala sobre sua obra.