segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Educação infantil- Pintura coletiva

Comecei a trabalhar com o ensino infantil há pouco tempo, estou ainda buscando formas de explorar a arte de forma significativa pra meus alunos que ainda estão começando a conhecer os materiais e possibilidades de criação, para além do colorir de desenhos prontos. Eles ainda estão desenvolvendo a coordenação, aprendendo a trabalhar com colas, tesouras, massinhas, pincéis, enfim, as variadas ferramentas e matérias da arte. Eles gostam muito de usar as próprias mãos, estar em contato com os materiais, e dessa forma, aos poucos ir manipulando as ferramentas.
Uma atividade que gostam muito é a pintura, seja de que forma for. A maioria, principalmente entre 5 e 6 anos, já movimenta bem o pincel; mas eles adoram quando podem colocar a mão na massa, literalmente. Fazer pinturas com as próprias mãos.
Trabalhei com meus alunos dessa forma em pintura coletiva, dando uma cartolina para cada grupo ( em uma sala de 23 alunos separei-os em 4 grupos). Entreguei tinta guache e disse que seria uma criação coletiva, onde cada um colocaria um pouquinho de sua arte na cartolina, contribuindo para a obra final. Eles teriam que conversar sobre suas ideias ou apenas irem fazendo para ver o que a união de tudo que fizeram iria resultar. Depois de trabalharem com os pincéis, sugeri que usassem as próprias mãos; eles ficaram surpresos e adoraram a sugestão, começaram a carimbar as mãos e fazer outras formas com os dedos.


Finalizadas as pinturas, coloquei-as nas paredes da sala para que todos pudessem ver. Eles gostaram muito de criar coletivamente e ver o resultado final de algo que fizeram em conjunto. Aproveitei para conversar também sobre as pinturas abstratas que criaram, como a que postei abaixo, buscando fazê-los perceber que cores, formas, sentidos e expressões não estão somente em criações figurativas.


 



Pintura espelho

Essa técnica de pintura permite o desenvolvimento de uma atividade lúdica ao mesmo tempo que possibilita a abordagem de temas e territórios da Arte, como forma-conteúdo e pintura ao acaso.

Na educação infantil, desenvolvi essa técnica com crianças de 4 a 6 anos, eles adoraram. Com algumas turmas usei cola colorida, com outras tinta guache; o importante é trabalhar com bastante cores, possibilitando a exploração de efeitos variados e a criação de tons diferentes pela mistura de cores. Pode-se também introduzir nessa atividade abordagens sobre cores primárias e secundárias. Pedi para os alunos dobrarem a folha sulfite ao meio e colorir apenas em uma das metades da folha. Alguns fizeram pinturas figurativas mas a maioria criou formas abstratas, manipulando a cola ou tinta, ou apenas gotejando-a. Depois pedi que fechassem a folha, apertassem um pouco com a mão e abrissem novamente. Então a pintura feita de um lado apareceu do outro, e quanto mais tinta aplicada mais as manchas se espalharam e formaram imagens que impressionaram os alunos. Peguei então todas as pinturas e fui mostrando uma a uma para os alunos, dizendo o nome do aluno que fez, e todos diziam o que parecia pra eles a imagem formada. Os alunos identificaram pássaros, borboletas, pessoas, paisagens etc.




 No ensino fundamental, desenvolvi essa técnica com meus alunos do 7º ano para o estudo de forma-conteúdo, salientando que Forma é a maneira como dizemos ou mostramos algo e Conteúdo é a ideia que queremos transmitir - a mensagem propriamente dita. Desse modo, através de suas formas criadas eles se expressaram e buscaram transmitir uma ideia, seja buscando imagens figurativas ou interpretando as formas abstratas em sensações e impressões.Também ao abordar o acaso na pintura, voltamos a usar essa técnica, unindo- a à técnica de gotejamento usada por Pollock. Os alunos se envolveram muito nesse processo de criação e se empolgaram com os resultados.






















quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Fazendo Arte como Pollock.

Fazendo arte como Pollock 




Sobre o artista:

Paul Jackson Pollock (1912 - 956) foi um pintor  pintor norte-americano, referência do movimento Expressionismo Abstrato. Muito famoso e ousado para sua época. Suas obras ficaram famosas não só pela originalidade e beleza, mas também pelas técnicas de pinturas desenvolvidas pelo artista . Ao invés de pincéis e cavaletes, Pollock utilizava grandes telas sobre o chão, pintava sobre várias dimensões utilizando movimentos corporais e instrumentos inusitados. A técnica mais conhecida do artista é o dripping (gotejamento) na qual respingava a tinta sobre suas imensas telas: os pingos escorriam formando traços harmoniosos e pareciam entrelaçar-se na superfície da tela. Com Pollock, há o auge da pintura de ação (action painting), a tinta cria seus próprios percursos na pintura.


Faça você: 
Você também pode desenvolver a técnica em casa ou na escola, e só vai precisar de: uma tela ou papel grande, tintas de várias cores e ferramentas para fazer o gotejamento da tinta, pode usar ferramentas como o próprio pincel, galhinhos de árvores ou potes com um furinho em um dos lados, para escorrer e pingar a tinta sobre o suporte (papel). O importante é não tocar a ferramenta no suporte, o material  (tinta) vai escorrer, gotejar e criar percursos não intencionais.
Na sala de aula a obra pode ser coletiva. Coloque uma música calma ou mais dramática (eu coloquei músicas clássicas) para as crianças entrarem no clima artístico. O resultado é ótimo.
No site  http://jacksonpollock.org/ é possível experimentar a técnica de Pollock virtualmente.


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Sequência Didática - Grafite



Tema: Grafite: É ou não é?

Conteúdos: Arte Contemporânea, grafite.

Objetivos: Discutir as relações entre a arte e o lugar em que é exposta e fazer com que os alunos experimentem ações como produtores e expectadores de arte.

Anos: 8º e 9º anos.

Tempo estimado: 4 ou mais aulas.

Materiais necessários: - Cópia dos textos “Grafite e Cia” e “Cidade Muda”;
- folhas de papel sulfite e caneta ou lápis preto;
- barbante e pregador ou papel colorido para fundo e fita crepe;
- acesso à rede no laboratório de informática da escola ou cópia da entrevista dos grafiteiros gêmeos transcrita.

Desenvolvimento:

Para iniciar as atividades peça aos alunos que façam uma ampla pesquisa em revistas, jornais, internet e recolham imagens de grafite e tragam para a escola.

Aula 1 – Peça que observem as imagens e as coloquem no varal. Em seguida, explique a eles o objetivo das aulas: aprofundar seus conhecimentos sobre o grafite e discutir as opiniões de cada um em relação ao tema. Diga a eles que, para isto, durante as próximas aulas vão ler textos, ouvir depoimentos, escrever pequenos textos para poder debater o assunto e produzir um grafite no muro da escola.
Organize a turma em grupos de quatro alunos e solicite que leiam o texto Grafite e Cia, que divulga uma exposição de grafite no MASP – Museu de Arte de São Paulo. Proponha que a primeira leitura seja silenciosa e realizada individualmente. Em seguida, peça que façam uma leitura em grupo, procurando um fragmento no texto – pode ser frase – que considerem a mais importante para compreensão do que é grafite. Peça que sublinhem o fragmento selecionado. Como o texto é muito curto, cada grupo pode escolher apenas um fragmento.
O grupo deve eleger um redator – que irá registrar todos os argumentos levantados ao alongo da aula – e um relator – responsável por apresentar o ponto de vista do grupo à classe.
Para socializar as opiniões da turma, solicite que um aluno inicie a leitura do texto em voz alta e que cada grupo sinalize o trecho que acredita ser o mais importante.
Conforme os fragmentos forem localizados, a leitura deve ser interrompida para que o relator de cada grupo comente o trecho, tomando como base a discussão anterior. Se mais de um grupo selecionar o mesmo fragmento, peça que ambos apresentem suas justificativas e procure relacioná-los. Todos podem fazer comentários durante a leitura, de modo organizado, levantando a mão para pedir a vez. Os fragmentos e registros das discussões podem ser colocados no varal para socialização.

Aula 2 – O objetivo da segunda aula é discutir as características do grafite dentro dos museus e galerias e nas ruas, fora deles. Para isso, será utilizado o depoimento da dupla de grafiteiros paulistas “Os gêmeos”, disponível na internet. Leve os alunos até a SAI – Sala ambiente de Informática e apresente o vídeo a eles e se não for possível, transcreva a entrevista e entregue uma cópia do texto à classe ou baixe o vídeo e apresente no aparelho de multimídia para todos ao mesmo tempo.
Em seguida peça que discutam a declaração a seguir feita por Gustavo Pandolfo, um dos gêmeos, em entrevista à revista Carta Capital: “A partir do momento em que tiramos nosso trabalho das ruas e o levamos ao museu, já não é grafite. É arte contemporânea, tridimensional”.
Proponha que a turma reflita sobre o local de realização e exposição do grafite e elaborem um texto em casa, apontando pelo menos três diferenças entre expor fora ou dentro de uma instituição cultural.

Aula 3 – No início da aula, peça que os alunos leiam os textos produzidos em casa e exponha no varal ou mural. Em seguida, entregue a eles um texto mais longo de Marcelo Dantas, que faz referência à Lei da Cidade Limpa – em vigor desde 1º de janeiro de 2007 na cidade de São Paulo.
Após a leitura do texto, abra um debate para que a turma se posicione em relação á lei e ao impacto dela nas manifestações artísticas de rua, de modo que uns possam ouvir as opiniões e argumentos dos outros.
Para finalizar a escrita, proponha que os alunos escrevam uma carta para a seção da revista reservada às opiniões dos leitores em relação ao artigo, e peça que busquem nas atividades anteriores argumentos que justifiquem a possibilidade de manifestação e expressão visual no espaço público.
Todo o material produzido deve ser colocado no varal ou mural em local que os outros alunos da escola possam ter acesso, não se esquecendo de reservar espaço para que os novos expectadores também possam deixar suas opiniões.

Aula 4... ou quantas forem necessárias - Peça aos alunos que se expressem como os grafiteiros numa parte do muro da escola reservado para a finalização do aprofundamento do conhecimento e que possa ser apreciado por todos os alunos da escola. Se não for possível usar o muro, é só forrá-lo com algum tipo de papel. O importante é que a experiência aconteça, e o suporte seja o muro.

TEXTOS
1.
Grafite e Cia.

Masp se rende à arte urbana
Fernando Masini

O MASP abriu suas portas à arte que ocupa ruas, vielas e viadutos. A exposição “De dentro para fora/De fora para dentro” promove um grupo de artistas acostumado a viver e a trabalhar a margem do mecenato.
Carlos Dias, Daniel Melim, Ramon Martins, Stephan Doistschinoff, Titi Freak formam o time comandado por Baixo Ribeiro, um dos curadores da mostra. O destaque são os seis murais inéditos que serão apagados no final da exposição.
Zezão transporta elementos de uma favela e leva seus traços azuis das galerias fluviais. Outras cem obras – entre telas, fotos e vídeos – compõem a coletiva.
Masp – hall cívico e mezanino – Av. Paulista, 1578, Bela Vista.
Tel: 011-31515644. Terça, quarta e sexta a domingo, das 11h às 19h. Até 5/2/2009.

Texto retirado do Guia as Folha, 20/11/2009

2.
Cidade Muda
por Marcello Dantas

Depois de mais de dois anos em vigor, os paulistanos começam a ver os benefícios da Lei Cidade Limpa. Mas algo além de publicidade sumiu das ruas. A cidade parece muda. Tenho uma filha de sete anos, em fase de alfabetização. Comecei a me lembrar do quão importante foi para a minha fixação do alfabeto e o conhecimento de novas palavras a leitura contextualizada da publicidade urbana.
Eu via imagens e as relacionava com as letras. Da mesma forma, as placas dos carros foram fundamentais no meu exercício infantil de aprendizado da matemática. Hoje, fico vendo minha filha procurar algo para exercitar seu aprendizado, e a única coisa que consegue achar é uma placa de “PARE”“.
Entendo que São Paulo havia se tornado uma cidade sem lei nesse aspecto. Admiro muito a coragem da prefeitura de enfrentar o enorme lobby por trás da publicidade na maior metrópole do país. E, sim, é verdade que em quase toda cidade que se preza no mundo existem regras rígidas da ocupação do espaço de poluição visual. Assim deve ser. Mas nem só de limpeza vive uma cidade.
Não se pode dizer que Nova York, Paris e Londres sejam cidades descontroladamente poluídas visualmente. Sabe-se bem do poder icônico de esquinas como Times Square, Champs-Elysées e Picadilly Circus. São Paulo, uma metrópole sem grandes marcos geográficos, como o Rio, por exemplo, pode se dar ao luxo de ser uma cidade sem imagem? Sem marcos?
E a opinião pública? Eu me recordo ainda de quando, ainda bem jovem, como ativista político em Belo Horizonte, eu saía com os amigos para pichar as propagandas políticas dos candidatos a deputado da ditadura militar. Era uma arena justa: eles ocupavam o espaço público, e a gente expressava nossa voz sobre o abuso. Assim como se sabe da importância da mídia exterior de gerar o espírito de uma causa, de mexer com percepção coletiva de forma diagonal: atingindo do mendigo ao executivo. É ainda um espaço de consciência de coletividade, que gera a sensação de que algo está acontecendo na cidade.
Como levantaremos causas comuns daqui para frente? Um desafio que talvez valesse a pena seria liberar uma esquina de São Paulo para a publicidade desenfreada. E exigir que áreas – hoje entristecidas com suas placas cegas, surdas e mudas – sejam usadas de forma criativa: para ajudar a alfabetizar, a refletir sobre o próprio espaço público ou para pensar em campanhas de mobilização da sociedade para causas relevantes.
Existe um impacto subliminar da cidade sem palavras. A verdadeira poluição visual não ocorre na paisagem exterior, mas, sim, na paisagem interior, no nosso espaço mental. Sinto, hoje, uma maior linearidade de pensamento ao transitar por São Paulo, uma concentração maior e menos dispersão causada pela publicidade. Um saldo positivo que não parecia óbvio no primeiro momento da lei.
No entanto, deve haver um ponto de equilíbrio entre a identidade, a criatividade e a limpeza visual de uma cidade muda. Talvez uma linguagem de sinais.
Marcello Dantas, 41, cria museus e exposições, entre eles o Museu da Língua Portuguesa e a mostra “Bossa na Oca”, e é o colunista convidado desta semana.
Revista da folha – edição 03/05/2009 – SP em cena
3.
www.youtube.com.br “Os gêmeos” 
 
"Plano de aula sugerido por uma das alunas do curso de pós-graduação em Arte Educação da UNESP"

Arte Contemporânea




Como entender o seu sentido?
Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Se levarmos em conta a origem da palavra arte ("ars" significa técnica ou habilidade), é curioso notar que há uma contradição: muitos artistas não expressam suas idéias através de uma habilidade técnica. Apesar de, muitas vezes, possuírem tais habilidades, estão preocupados em discutir outras questões, provocar outras reflexões.



"Roda de bicicleta", Marcel Duchamp (1913): não é possível usar o banco ou a roda que compõem essa obra de ate.

Em 1913, momento das vanguardas européias, Marcel Duchamp propôs obras chamadas "ready-made", feitas a partir de objetos do dia-a-dia. O que ele fazia era apresentar esses objetos de forma descontextualizada e sem a possibilidade de serem utilizados. Por exemplo: um mictório no meio de uma sala, sem encanamento.

Com essa "provocação", Duchamp chamou a atenção para a arte produzida naquele momento. Ela não seria mais uma representação do real, como um retrato. Ela seria a própria realidade.

Quem decide o que é obra de arte
O objeto de arte não representa algo, mas ele é algo. Mesmo se o artista não tiver fabricado os elementos que compõem sua obra. Duchamp também questionava o conceito de arte como associado a um ideal de belo e à crítica de arte.

O objetivo da obra de arte, assim, era também promover o debate sobre a definição e a finalidade da arte.

Se não existe uma definição do conceito arte, quem afinal decide o que é obra de arte ou não?

Muitos são os fatores para classificar uma produção como obra de arte: o contexto histórico, o mercado de arte, a aceitação entre os artistas e, principalmente, a crítica.

Crítica de arte
A arte, como resultado de análise e avaliação, pode adquirir novas dimensões e formas de expressão por meio da crítica. Ela colabora para que a sociedade se mantenha atenta aos valores da arte no passado e no presente.

A crítica leva em conta o fato de que a arte é um produto da humanidade que expressa suas experiências e emoções através da linguagem.

A evolução dos conceitos artísticos, a transformação dos valores, são aplicáveis às diferentes formas: a literatura, o teatro, a dança, o cinema, a fotografia, a música e tantas outras que surgem, como a web arte.