Tema:
Grafite: É ou não é?
Conteúdos: Arte Contemporânea, grafite.
Objetivos: Discutir as relações entre a arte e o lugar em que é exposta e fazer
com que os alunos experimentem ações como produtores e expectadores de arte.
Anos: 8º e 9º anos.
Tempo estimado: 4 ou mais aulas.
Materiais necessários: - Cópia dos textos “Grafite e Cia” e “Cidade Muda”;
- folhas de papel sulfite e caneta ou lápis preto;
- barbante e pregador ou papel colorido para fundo e fita crepe;
- acesso à rede no laboratório de informática da escola ou cópia da entrevista
dos grafiteiros gêmeos transcrita.
Desenvolvimento:
Para iniciar as atividades peça aos alunos que façam uma ampla pesquisa em
revistas, jornais, internet e recolham imagens de grafite e tragam para a
escola.
Aula 1 – Peça que observem as imagens e as coloquem no varal. Em seguida,
explique a eles o objetivo das aulas: aprofundar seus conhecimentos sobre o
grafite e discutir as opiniões de cada um em relação ao tema. Diga a eles que,
para isto, durante as próximas aulas vão ler textos, ouvir depoimentos,
escrever pequenos textos para poder debater o assunto e produzir um grafite no
muro da escola.
Organize a turma em grupos de quatro alunos e solicite que leiam o texto
Grafite e Cia, que divulga uma exposição de grafite no MASP – Museu de Arte de
São Paulo. Proponha que a primeira leitura seja silenciosa e realizada
individualmente. Em seguida, peça que façam uma leitura em grupo, procurando um
fragmento no texto – pode ser frase – que considerem a mais importante para
compreensão do que é grafite. Peça que sublinhem o fragmento selecionado. Como
o texto é muito curto, cada grupo pode escolher apenas um fragmento.
O grupo deve eleger um redator – que irá registrar todos os argumentos
levantados ao alongo da aula – e um relator – responsável por apresentar o
ponto de vista do grupo à classe.
Para socializar as opiniões da turma, solicite que um aluno inicie a leitura do
texto em voz alta e que cada grupo sinalize o trecho que acredita ser o mais
importante.
Conforme os fragmentos forem localizados, a leitura deve ser interrompida para
que o relator de cada grupo comente o trecho, tomando como base a discussão
anterior. Se mais de um grupo selecionar o mesmo fragmento, peça que ambos
apresentem suas justificativas e procure relacioná-los. Todos podem fazer
comentários durante a leitura, de modo organizado, levantando a mão para pedir
a vez. Os fragmentos e registros das discussões podem ser colocados no varal
para socialização.
Aula 2 – O objetivo da segunda aula é discutir as características do grafite
dentro dos museus e galerias e nas ruas, fora deles. Para isso, será utilizado
o depoimento da dupla de grafiteiros paulistas “Os gêmeos”, disponível na
internet. Leve os alunos até a SAI – Sala ambiente de Informática e apresente o
vídeo a eles e se não for possível, transcreva a entrevista e entregue uma
cópia do texto à classe ou baixe o vídeo e apresente no aparelho de multimídia
para todos ao mesmo tempo.
Em seguida peça que discutam a declaração a seguir feita por Gustavo Pandolfo,
um dos gêmeos, em entrevista à revista Carta Capital: “A partir do momento em
que tiramos nosso trabalho das ruas e o levamos ao museu, já não é grafite. É
arte contemporânea, tridimensional”.
Proponha que a turma reflita sobre o local de realização e exposição do grafite
e elaborem um texto em casa, apontando pelo menos três diferenças entre expor
fora ou dentro de uma instituição cultural.
Aula 3 – No início da aula, peça que os alunos leiam os textos produzidos em
casa e exponha no varal ou mural. Em seguida, entregue a eles um texto mais
longo de Marcelo Dantas, que faz referência à Lei da Cidade Limpa – em vigor
desde 1º de janeiro de 2007 na cidade de São Paulo.
Após a leitura do texto, abra um debate para que a turma se posicione em
relação á lei e ao impacto dela nas manifestações artísticas de rua, de modo
que uns possam ouvir as opiniões e argumentos dos outros.
Para finalizar a escrita, proponha que os alunos escrevam uma carta para a
seção da revista reservada às opiniões dos leitores em relação ao artigo, e
peça que busquem nas atividades anteriores argumentos que justifiquem a
possibilidade de manifestação e expressão visual no espaço público.
Todo o material produzido deve ser colocado no varal ou mural em local que os
outros alunos da escola possam ter acesso, não se esquecendo de reservar espaço
para que os novos expectadores também possam deixar suas opiniões.
Aula 4... ou quantas forem necessárias - Peça aos alunos que se expressem como
os grafiteiros numa parte do muro da escola reservado para a finalização do
aprofundamento do conhecimento e que possa ser apreciado por todos os alunos da
escola. Se não for possível usar o muro, é só forrá-lo com algum tipo de papel. O importante é que a experiência aconteça, e o suporte seja o muro.
TEXTOS
1.
Grafite e Cia.
Masp se rende à arte urbana
Fernando Masini
O MASP abriu suas portas à arte que ocupa ruas, vielas e viadutos. A exposição
“De dentro para fora/De fora para dentro” promove um grupo de artistas
acostumado a viver e a trabalhar a margem do mecenato.
Carlos Dias, Daniel Melim, Ramon Martins, Stephan Doistschinoff, Titi Freak
formam o time comandado por Baixo Ribeiro, um dos curadores da mostra. O
destaque são os seis murais inéditos que serão apagados no final da exposição.
Zezão transporta elementos de uma favela e leva seus traços azuis das galerias
fluviais. Outras cem obras – entre telas, fotos e vídeos – compõem a coletiva.
Masp – hall cívico e mezanino – Av. Paulista, 1578, Bela Vista.
Tel: 011-31515644. Terça, quarta e sexta a domingo, das 11h às 19h. Até
5/2/2009.
Texto retirado do Guia as Folha, 20/11/2009
2.
Cidade Muda
por Marcello Dantas
Depois de mais de dois anos em vigor, os paulistanos começam a ver os
benefícios da Lei Cidade Limpa. Mas algo além de publicidade sumiu das ruas. A
cidade parece muda. Tenho uma filha de sete anos, em fase de alfabetização.
Comecei a me lembrar do quão importante foi para a minha fixação do alfabeto e
o conhecimento de novas palavras a leitura contextualizada da publicidade urbana.
Eu via imagens e as relacionava com as letras. Da mesma forma, as placas dos
carros foram fundamentais no meu exercício infantil de aprendizado da
matemática. Hoje, fico vendo minha filha procurar algo para exercitar seu
aprendizado, e a única coisa que consegue achar é uma placa de “PARE”“.
Entendo que São Paulo havia se tornado uma cidade sem lei nesse aspecto. Admiro
muito a coragem da prefeitura de enfrentar o enorme lobby por trás da
publicidade na maior metrópole do país. E, sim, é verdade que em quase toda
cidade que se preza no mundo existem regras rígidas da ocupação do espaço de
poluição visual. Assim deve ser. Mas nem só de limpeza vive uma cidade.
Não se pode dizer que Nova York, Paris e Londres sejam cidades
descontroladamente poluídas visualmente. Sabe-se bem do poder icônico de
esquinas como Times Square, Champs-Elysées e Picadilly Circus. São Paulo, uma
metrópole sem grandes marcos geográficos, como o Rio, por exemplo, pode se dar
ao luxo de ser uma cidade sem imagem? Sem marcos?
E a opinião pública? Eu me recordo ainda de quando, ainda bem jovem, como
ativista político em Belo Horizonte, eu saía com os amigos para pichar as
propagandas políticas dos candidatos a deputado da ditadura militar. Era uma
arena justa: eles ocupavam o espaço público, e a gente expressava nossa voz
sobre o abuso. Assim como se sabe da importância da mídia exterior de gerar o
espírito de uma causa, de mexer com percepção coletiva de forma diagonal:
atingindo do mendigo ao executivo. É ainda um espaço de consciência de
coletividade, que gera a sensação de que algo está acontecendo na cidade.
Como levantaremos causas comuns daqui para frente? Um desafio que talvez
valesse a pena seria liberar uma esquina de São Paulo para a publicidade
desenfreada. E exigir que áreas – hoje entristecidas com suas placas cegas,
surdas e mudas – sejam usadas de forma criativa: para ajudar a alfabetizar, a
refletir sobre o próprio espaço público ou para pensar em campanhas de
mobilização da sociedade para causas relevantes.
Existe um impacto subliminar da cidade sem palavras. A verdadeira poluição
visual não ocorre na paisagem exterior, mas, sim, na paisagem interior, no
nosso espaço mental. Sinto, hoje, uma maior linearidade de pensamento ao
transitar por São Paulo, uma concentração maior e menos dispersão causada pela
publicidade. Um saldo positivo que não parecia óbvio no primeiro momento da
lei.
No entanto, deve haver um ponto de equilíbrio entre a identidade, a
criatividade e a limpeza visual de uma cidade muda. Talvez uma linguagem de
sinais.
Marcello Dantas, 41, cria museus e exposições, entre eles o Museu da Língua
Portuguesa e a mostra “Bossa na Oca”, e é o colunista convidado desta semana.
Revista da folha – edição 03/05/2009 – SP em cena
3.
www.youtube.com.br “Os gêmeos”
"Plano de aula sugerido por uma das alunas do curso de pós-graduação em Arte Educação da UNESP"