sábado, 2 de março de 2013

Análise de uma visita a um espaço cultural.




Essa visita a um espaço cultural foi desenvolvida com alunos do 6º ano, faixa etária entre 11 e 12 anos no ano de 2011. Por ser a professora deles encaminhei a visita relacionando-a com o que vinha sendo trabalhado em sala de aula em relação à materialidade, contando com o auxilio de duas outras funcionárias da escola .
A instituição visitada foi o Museu de Arte de Ribeirão Preto - MARP, onde ocorria uma exposição de arte contemporânea. Os alunos tiveram contato com obras contemporâneas de forma mais significativa, em contato direto com a obra; ultrapassando o limite das imagens bidimensionais que são a forma mais usual de aproximação com a arte no meio em que vivem. Essa proposta faz parte do projeto Lugares de Aprender, do Programa Cultura é Currículo da Secretaria de Estado da Educação; foram disponibilizados todos os recursos necessários para sua viabilização, como ônibus e alimentação para os alunos, sendo tudo organizado e agendado previamente pela escola.
Os alunos chegaram ao museu sem saber muito bem o que iriam encontrar especificamente e um pouco tímidos por ser a primeira visita a um espaço expositivo. Com o processo educativo monitorado pelos mediadores do museu  e por mim eles foram interagindo com as obras expostas e chegando a um entendimento próximo sobre o que é a arte contemporânea. Ao chegarmos fomos recepcionados pelos monitores que foram nos guiando pelas salas onde eram apresentadas formas diferenciadas de produções contemporâneas, englobando serigrafias, esculturas, fotografias, desenhos, pinturas e instalações. Assim, fiz um paralelo com o que vínhamos abordando sobre matéria, suporte e ferramenta em sala de aula, aproveitando as obras como uma forma de dar visibilidade e significado ao conteúdo. Dessa maneira, a visita se articulou à aprendizagem que geralmente é desenvolvida em quatro paredes tendo como auxilio a mediação não só do professor mas também dos monitores do museu em suas ações pedagógicas. Mesmo começando a compreender o sentido da arte contemporânea muitos alunos ainda olhavam para as obras com aquela expressão de inconformismo em aceitá-las como arte, outros já sabiam que cada obra queria dizer algo, que cada material usado foi escolhido pelo artista por algum motivo; começaram a agir como se quisessem descobrir um enigma da mesma forma que agiam quando fazíamos a leitura e interpretação das imagens vistas em seus cadernos, mas ali mostravam mais entusiasmo por estarem frente às obras. Todo o significado estava escondido nas obras e eles sabiam que tinham que descobrir através de seus próprios olhares e da mediação desenvolvida, sabiam que não estavam ali apenas para admirarem uma obra, apreciando a técnica e a forma. Por isso, apesar do estranhamento provocado por essa arte tão diferente pra eles, não houve desinteresse nem descaso, e sim uma abertura para a leitura estética e a vontade em compreendê-la de forma significativa, as conversas foram brotando sentidos nas obras e vários outros sentidos florescendo nos alunos. Orientamos os alunos a se sentarem no chão, todos juntos, depois da apreciação das obras, para desenvolvermos uma roda de conversa sobre todas suas impressões e curiosidades. A visita transcorreu de forma tranquila e propícia às aprendizagens.
Voltando à sala de aula, depois da reflexão sobre a experiência vivenciada por eles e por mim como educadora, iniciamos a fase de produção. Solicitei aos alunos produções artísticas com matérias, suportes e ferramentas diversificados, mapeados em seus cadernos. A atividade foi desenvolvida em grupos de quatro a cinco alunos em um processo colaborativo. Os orientei a pensarem em suas obras de forma contemporânea, assim como os artistas da exposição fizeram em seus processos de criação, aplicando um sentido e dando importância à expressão. Foram criados objetos, esculturas, pinturas, assemblage e também produções musicais.
O interessante também nessa visita foi que a instituição não se apresenta como um ambiente de sacralização das obras de arte, os alunos não as viram com aquela àurea artística comumente associada aos museus; isso despertou mais o interesse deles, se perceberam como parte atuante das obras e não apenas admiradores de uma arte possível de ser viabilizada somente por artistas dotados de dons divinos, que devem ser cultuadas. Percebi que essa parceria entre escolas e museus viabilizam esse processo de dessacralização, os alunos passam a pensar nesses espaços de mediação de uma forma menos fria e distante, como um lugar onde apenas os mais cultos devem frequentar; assim, começam a estar mais abertos à experiências nesse sentido, sem receios .
O MARP também tem sua importância como patrimônio cultural da cidade, o prédio que o abriga foi construído no início do século passado tendo passado por uma reforma em 1992; apesar das grandes dificuldades estruturais, desde o início imprimiu ao longo de seu percurso um perfil voltado à arte contemporânea, com atividades direcionadas a formação de público, recebendo importantes mostras históricas. Os mediadores trouxeram à tona a importância de valorizar e aproveitar os bens patrimoniais disponibilizados em nossa região para ampliarmos nossos repertórios culturais e conhecermos mais sobre tudo que nos cerca em nossa trajetória.
Como foi meu primeiro ano na rede de ensino não sabia exatamente como proceder no início; foi algo um pouco assutador, um desafio, pois para mim, assim como para os alunos, também foi a primeira experiência em desenvolvimento de ações pedagódicas fora do ambiente escolar. Gostei muito de poder proporcionar aos alunos algo diferente relacionado às aprendizagens desenvolvidas na escola; possibilitando maior significado ao que vínhamos abordando e ampliando as percepções sobre arte contemporânea. Me senti mais responsável e confiante em minha atuação como educadora.




                                                                                             

  
                                 Painéis de fotografias de vários artistas abordando o olhar no contexto de comunidades.                       

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