De acordo com Schiller, a sustentação do conhecimento
de si o do mundo evitando o isolamento da subjetividade seria possível através
de um critério que propõe como diretriz a ideia de existência do
“eu-individual” mediante a um contato com o outro, interagindo e
interdependendo de outros indivíduos. A racionalidade e o olhar objetivo buscam
nos sentimentos e na subjetividade um sentido para o que é visto em significados
variados que provoquem percepções interiores , sem provocar relações sociais
individualistas.
Os sentimentos têem o poder de influir em reflexões e
pensamentos, direcionar atitudes contrárias e não conjuntas com a racionalidade,
com o que se pensa interiormente como certo, devido a isso muitos filósofos
rejeitaram a noção de harmonia proporcionada pelo sentimento de beleza
estética.
Os alunos precisam aprender a equilibrar sentimento e
razão para conhecerem a si mesmos e ao
outro; percebemos que muitas vezes o que ocorre é a ilusão de um conhecimento
de si mesmo decorrente de fatores que induzem à uma personalidade forjada, onde
o próprio aluno esquece de si mesmo propositalmente e passa a se fechar em uma
subjetividade manipulada por fenômenos culturais apelativos, determinantes de
atitudes e sentimentos sem reflexão. Isso faz com que muitos jovens sintam que
sua própria identidade ligada aos seus sentimentos sejam inferiores, passam a
se perder interiormente sem se darem conta. A partir do momento em que se
deixam levar por um sentimentalismo que iniba a reflexão, o aluno passa a se
fechar para as relações sociais que confrontem esses sentimentos adquiridos,
isolando-se em seu próprio mundo para evitar ideias contrárias e reflexões críticas.
Posso citar como exemplo de fenômeno cultural
“apelativo” presente na vida dos alunos a novela Rebelde exibida pela Rede Record. Todos os estudantes tem boa aparência,
usam roupas depojadas e fazem o que querem tendo como filosofia de vida a ideia
de que jovens devem ser rebeldes. A novela também aborda questões estimulantes
à capacidade crítica dos estudantes, ao não conformismo e luta pelos sonhos, mas
parece que de forma contrária à realidade, forjando um mundo fantasioso, um ambiente
escolar idealizado e personagens invejados que passam a ser projetados nos
atores. Essa forma de fenômeno cultural atinge mais o sexo feminino, as alunas
passam a se enxergar como as personagens e a querer ser como elas. Em redes
sociais podemos perceber essa atitude ao nos depararmos com muitas meninas que
deixam de colocar suas fotos como identificadoras de perfil para colocar fotos
da personagem que mais gosta.
Também em estilos musicais como o funk carioca percebemos a “apelação” que traz influências sentimentais e comportamentais .
Algumas letras eróticas e de duplo sentido, normalmente desvalorizando o gênero
feminino revelam uma não originalidade, ao copiar outros estilos musicais
populares no Brasil, e fazem com que os jovens banalizem comportamentos como a
traição, vulgaridade e promiscuidade. As coreografias, geralmente, simulam
movimentos sexuais e trazem à linguagem corporal a ideia de meio de sedução,
onde não há limites. O corpo passa a ser o suficiente para gerir as relações
sociais sendo o único objeto de atração, a única coisa que mereça atenção e
exercício, deixando assim, em segundo plano, o exercício da mente, a
personalidade e individualidade.
Jalilian Stábile
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