O
conhecimento do senso comum e o conhecimento de caráter científico e teórico da
ideia de estética aparece quase como sinônimo de aparência do objeto, a imagem
que ele possui. O senso comum associa a palavra estética a processos de
embelezamento do corpo, além também de a associar à obras de arte virando quase
que um “juízo” daquilo que seria belo ou não. Assim, o corpo e a obra de arte teria
uma imagem bela ou não, aceitável ou não. Distorções do conceito da palavra
estética não estão completamente desconectadas a sua origem filosófica, pois
mesmo no senso comum, a ideia de estética está ligada ao corpo e ao belo. Do
século XVIII em diante, a disciplina Estética conceitua a dimensionalidade
estética como atributo básico do ser humano, superando até mesmo a pura
nacionalidade. A autonomia do homem com base no senso estético, e não apenas no
poder da razão, ocorre simultaneamente à uma tomada de posição frente à
discussão sobre o alcance político das artes, preservando e garantindo a
manifetação da liberdade característica do homem, ao menos por meio da
apreciação da natureza e das obras de arte. A teorização da estética ocorrente
no séc XVIII, perpassa ideários teóricos diferenciados: Hume constitui Estética
como juízo de gosto, anterior à impressão sensorial; Baumgarten desvincula a
beleza de qualquer ligação com os sentidos, sendo a Estética entendida como
ciência; Kant diz não é possível instituir uma ciência precisa sobre o juízo
estético de gosto, porque não há certezas nesse nível das faculdades humanas;
Schiller especifica o sentimento como responsável por designar o que seja belo
ou não, uma vez que a beleza não provém do mundo material a Estética se
desvincula da sensação. No séc XX é que a Estética recupera a importância da
sensação com os filósofos de Frankfurt que concluem que o contato com obras de
arte particulares, próprias de um tempo e lugar, é imprescindível para que se
chegue a um juízo estético; é recuperada também a importância da racionalidade
na constituição de um sujeito autônomo, de plena posse de suas Potencialidades.
“Somente a arte ideal e fictícia consegue promover o livre jogo das faculdades
humanas, sem menosprezar razão nem sensibilidade em toda a sua extensão”.( UNESP/REDEFOR)
A Estética vai além da análise de obras ao buscar o
fundamento cognitivo de nossos padrões de beleza ou por tentar distinguir vida
e arte. No ambiente escolar a ideia de estética do senso comum prevalece ligada
ao corpo e ao belo, principalmente pela influência midiática que estipula
padrões e modismos; a ideia de seguir o que é determinado como bom é mais fácil
do buscar gerar novas percepções. Os alunos já se acotumaram a pensar na arte
como algo que deve ser belo esteticamente; pensam que para desenhar é preciso
saber desenhar tudo que se vê da forma como é visto. Essa é uma tendência
herdada pela escola tradicional, onde os professores ditavam regras e padrões a
serem seguidos como certos, podando a poética pessoal de cada aluno. É
importante que os alunos compreendam a estética em seu sentido originário de
sensações, sem encará-la como o que define o objeto e sim como a percepção que
se tem desse objeto.
Em minhas aulas procuro fazer com que os alunos
percebam que nossas referências de passado também influenciam nossa juizo
estético, juntando-se aos novos conhecimentos que geram outras formas de
percepção. Razão e sensibilidade caminham juntas. A estética é essencialmente
associada ao sentir- à sensações que provém do contato que temos com o mundo.
Mas o “mundo sensível” que compreende a estética depende de nossa percepção,
não deve seguir o que é estipulado como belo e aceitável; as apreciações
estéticas devem estar ligadas à experiências sensitivas, à formas de tocar e
ser tocado, e não ser direcionado pelo pré-conceitos e definições do que é bom
ou ruim, belo ou feio . Todas as sensações advém de um contato, seja ele
através de coisas tangíveis ou pela audição, visão... todos nossos sentidos
possibilitam que o exterior dialogue com nosso interior.
Jalilian Stábile
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