sábado, 2 de março de 2013

Em que sentido a ideia de estética do senso comum se aproxima e também se distancia do conceito de estética cunhado pela filosofia?



O conhecimento do senso comum e o conhecimento de caráter científico e teórico da ideia de estética aparece quase como sinônimo de aparência do objeto, a imagem que ele possui. O senso comum associa a palavra estética a processos de embelezamento do corpo, além também de a associar à obras de arte virando quase que um “juízo” daquilo que seria belo ou não. Assim, o corpo e a obra de arte teria uma imagem bela ou não, aceitável ou não. Distorções do conceito da palavra estética não estão completamente desconectadas a sua origem filosófica, pois mesmo no senso comum, a ideia de estética está ligada ao corpo e ao belo. Do século XVIII em diante, a disciplina Estética conceitua a dimensionalidade estética como atributo básico do ser humano, superando até mesmo a pura nacionalidade. A autonomia do homem com base no senso estético, e não apenas no poder da razão, ocorre simultaneamente à uma tomada de posição frente à discussão sobre o alcance político das artes, preservando e garantindo a manifetação da liberdade característica do homem, ao menos por meio da apreciação da natureza e das obras de arte. A teorização da estética ocorrente no séc XVIII, perpassa ideários teóricos diferenciados: Hume constitui Estética como juízo de gosto, anterior à impressão sensorial; Baumgarten desvincula a beleza de qualquer ligação com os sentidos, sendo a Estética entendida como ciência; Kant diz não é possível instituir uma ciência precisa sobre o juízo estético de gosto, porque não há certezas nesse nível das faculdades humanas; Schiller especifica o sentimento como responsável por designar o que seja belo ou não, uma vez que a beleza não provém do mundo material a Estética se desvincula da sensação. No séc XX é que a Estética recupera a importância da sensação com os filósofos de Frankfurt que concluem que o contato com obras de arte particulares, próprias de um tempo e lugar, é imprescindível para que se chegue a um juízo estético; é recuperada também a importância da racionalidade na constituição de um sujeito autônomo, de plena posse de suas Potencialidades. “Somente a arte ideal e fictícia consegue promover o livre jogo das faculdades humanas, sem menosprezar razão nem sensibilidade em toda a sua extensão”.( UNESP/REDEFOR)
A Estética vai além da análise de obras ao buscar o fundamento cognitivo de nossos padrões de beleza ou por tentar distinguir vida e arte. No ambiente escolar a ideia de estética do senso comum prevalece ligada ao corpo e ao belo, principalmente pela influência midiática que estipula padrões e modismos; a ideia de seguir o que é determinado como bom é mais fácil do buscar gerar novas percepções. Os alunos já se acotumaram a pensar na arte como algo que deve ser belo esteticamente; pensam que para desenhar é preciso saber desenhar tudo que se vê da forma como é visto. Essa é uma tendência herdada pela escola tradicional, onde os professores ditavam regras e padrões a serem seguidos como certos, podando a poética pessoal de cada aluno. É importante que os alunos compreendam a estética em seu sentido originário de sensações, sem encará-la como o que define o objeto e sim como a percepção que se tem desse objeto.
Em minhas aulas procuro fazer com que os alunos percebam que nossas referências de passado também influenciam nossa juizo estético, juntando-se aos novos conhecimentos que geram outras formas de percepção. Razão e sensibilidade caminham juntas. A estética é essencialmente associada ao sentir- à sensações que provém do contato que temos com o mundo. Mas o “mundo sensível” que compreende a estética depende de nossa percepção, não deve seguir o que é estipulado como belo e aceitável; as apreciações estéticas devem estar ligadas à experiências sensitivas, à formas de tocar e ser tocado, e não ser direcionado pelo pré-conceitos e definições do que é bom ou ruim, belo ou feio . Todas as sensações advém de um contato, seja ele através de coisas tangíveis ou pela audição, visão... todos nossos sentidos possibilitam que o exterior dialogue com nosso interior.





 Jalilian Stábile








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