sábado, 2 de março de 2013

Estética kantiana e a ideia de belo



Segundo Immanuel Kant existe uma interpretacão individual do belo, o conhecimento abarca   a subjetividade e não a propriedade das coisas. Nos parece que todos os objetos devem possuir uma representação ideal acomodada pelas estruturas cognitivas do sujeito, sendo assim, socialmente aceitos e tidos como legítimos. A partir desses comportamentos cognitivos e pessoais, certos objetos, manifestações artísticas e até mesmo o ser humano adquiri uma aparência construída que condiciona o que vai se destacar mais ou até mesmo possuir maior valor de mercado e aceitacão. Tanto Kant como Caeiro reconhecem que há um processo de idealização das ‘’ coisas’’, porém o que decide o que é belo ou não são as experiências cognitivas que cada homem contempla eu seu tempo ou em determinada sociedade. A representação ideal dos objetos seguem estímulos externos que influenciam o sujeito interiormente. Quando Caeiro diz que existe apenas a existência das coisas e “A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe...Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão”, se aproxima de Kant, pois o sociólogo defende que o “conhecimento a priori, que faz com que o belo constitua uma instância da subjetividade”; o belo simboliza o bem por analogia no “juízo de gosto” proporcionando uma satisfação no campo das ideias, as formas dos obejetos, determinadas a priori dependem da idealidade ocasionada pleos sentidos. Isso nos faz refletir que é a subjetividade de cada ser que atribui a beleza ás coisas que nos cercam.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das coisas: são belas?”.
(Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos.)  

Alberto Caeiro(um dos pseudônimos de Fernando Pessoa) mostra com suas palavras que a beleza de tudo que vemos pode ser implantada de acordo com intenções e conceitos estipulados, muitas vezes manipulando o olhar por motivos pretenciosos e mercadológicos. Algo pode ser valorizado esteticamente de acordo com as normatizações e influências de um meio, por trazer uma recompensa ou reconhecimento, seja ela aparente ou subjetivamente ocorrente na individualidade das pessoas que buscam estar inseridas no que é considerado bom e belo socialmente em seus contextos.


Devemos considerar também que o belo de ontem pode ser o feio de hoje e vice-versa. Os caminhos históricos trilhados pelo homem jamais se enraízam de uma forma acabada e definida, pois existiram diferentes modelos sociais e de produção como nos ensina karl Marx e outros historiadores de renome, não necessariamente materialistas. Segundo o maior expoente da Escola dos Analles, Marc Block “ Os homens se parecem mais com o seu próprio tempo do que com seus próprios pais”.(BLOCK, Marc, Apalogia do Historiador)



Jalilian Stábile 


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