Segundo Immanuel
Kant existe uma interpretacão individual do belo, o conhecimento abarca a subjetividade e não a propriedade das
coisas. Nos parece que todos os objetos devem possuir uma representação ideal
acomodada pelas estruturas cognitivas do sujeito, sendo assim, socialmente
aceitos e tidos como legítimos. A partir desses comportamentos cognitivos e
pessoais, certos objetos, manifestações artísticas e até mesmo o ser humano
adquiri uma aparência construída que condiciona o que vai se destacar mais ou
até mesmo possuir maior valor de mercado e aceitacão. Tanto Kant como Caeiro
reconhecem que há um processo de idealização das ‘’ coisas’’, porém o que
decide o que é belo ou não são as experiências cognitivas que cada homem contempla
eu seu tempo ou em determinada sociedade. A representação ideal dos objetos
seguem estímulos externos que influenciam o sujeito interiormente. Quando
Caeiro diz que existe apenas a existência das coisas e “A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe...Que eu dou às
coisas em troca do agrado que me dão”, se aproxima de Kant, pois o
sociólogo defende que o “conhecimento a priori, que faz com
que o belo constitua uma instância da subjetividade”; o belo simboliza o bem
por analogia no “juízo de gosto” proporcionando uma satisfação no campo das
ideias, as formas dos obejetos, determinadas a priori dependem da idealidade
ocasionada pleos sentidos. Isso nos faz refletir que é a subjetividade de cada
ser que atribui a beleza ás coisas que nos cercam.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das coisas: são belas?”.
(Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos.)
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das coisas: são belas?”.
(Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos.)
Alberto Caeiro(um
dos pseudônimos de Fernando Pessoa) mostra com suas palavras que a beleza
de tudo que vemos pode ser implantada de acordo com intenções e conceitos
estipulados, muitas vezes manipulando o olhar por motivos pretenciosos e
mercadológicos. Algo pode ser valorizado esteticamente de acordo com as
normatizações e influências de um meio, por trazer uma recompensa ou
reconhecimento, seja ela aparente ou subjetivamente ocorrente na individualidade
das pessoas que buscam estar inseridas no que é considerado bom e belo socialmente
em seus contextos.
Devemos
considerar também que o belo de ontem pode ser o feio de hoje e vice-versa. Os
caminhos históricos trilhados pelo homem jamais se enraízam de uma forma
acabada e definida, pois existiram diferentes modelos sociais e de produção como
nos ensina karl Marx e outros historiadores de renome, não necessariamente
materialistas. Segundo o maior expoente da Escola dos Analles, Marc Block “ Os
homens se parecem mais com o seu próprio tempo do que com seus próprios
pais”.(BLOCK, Marc, Apalogia do Historiador)
Jalilian Stábile
Ótima reflexão.
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